Teatro: Guerr-ILHA

Olá, hoje é dia da gente falar de teatro! No sábado, 15/04, conheci o Teatro Popular Oscar Niemeyer, ou também conhecido como Teatro Popular de Niterói. Uma arquitetura deslumbrante a beira da baía de Niterói, próximo do reformado shopping Bay Market e adentro da Rodoviária. Foi um pouco complicado de achar, mas uma vista deslumbrante do Rio de Janeiro no anoitecer! Vale a pena.. além de ter um espaço maravilhoso para se distrair com amigos e as crianças.

Apresentado o local, vamos falar do que interessa! Da peça Guerr-ILHA. Como sabem, estou fazendo teatro há quase um ano na ONG Ecoa. E uma das minhas próximas tarefas, é montar com meu grupo um Seminário Criativo sobre Teatro Épico/ Documental. Semana passada, tivemos uma aula incrível com a Andréa Terra, que nos deixou um convite sobre a peça que ela também atua, e aborda o Teatro Documental. Lá fomos nós!

As cadeiras da platéia foram dispostas no palco, quase como um tipo espaço múltiplo central total. Eles andavam pelo espaço, encaravam o público como se quisessem instigar e incomodar com seus olhares. Era louco ser encarado por eles, sérios, quase como se quisessem dizer “me olha nos olhos e me decifra”. Os figurinos eram em tons frios, simples. As duas atrizes usavam calças masculinas para fazerem saias, os dois atores dobravam as barras das calças; as blusas, em modelos bem parecidos, tinham costuras desgovernadas em linha vermelha.

Soam os 3 sinais, aquele que nos dá um frio na barriga hehe. Andréa então nos recepciona com “Sejam bem vindos a mais uma apresentação…”. Começam trazendo pacotes de jornais embrulhados, amontoam, andam pelo espaço.. um puxa um jornal e começam um jogo de tirar das mãos. Lêem uma matéria que nos leva para o final dos anos 50. Começamos, aos poucos, a ser levados pra a história de um casal em início de namoro até o seu casamento.

A jovem mulher que se casa com um homem que não externa amor, em tempos de que os pais decidem quem serão seus pares. Que mulher não vai sozinha ao médico ou sem autorização de marido ou pai. A revolta de uma amiga que acha que a amiga deveria se impor. A Ditadura Militar (favor não chamar de intervenção nos comentários deste blog, obrigada!) e o sumiços das pessoas que não concordaram com esse método de governo.

Até que ao final, levamos o maior soco na cara: áudios de pessoas que sobreviveram a este pesadelo que assolou o Brasil. As vozes que diziam o que sofreram, os abusos, as torturas, suas vidas hoje.. e tudo ali, pelas ruas de Niterói. Aquela rua que termina na Pracinha, na Igreja de São Pedro que é enfeitada com tapetes, perto de onde tem o recém reformado Shopping, onde fica o mercado.. tudo por ali, onde quem já passeou pelo Centro de Niterói conhece e já deve ter andado muito.

A peça foi incrível, e foi um excelente modo de conhecer mais um pouco sobre a história do Brasil, da nossa política e saber também que existe muito além da Cidade do Rio de Janeiro – pra quem afirma que foi apenas uma intervenção aos baderneiros que circulavam o Centro do Rio de Janeiro. A frieza existente na peça desde o figurino às expressões faciais dos atores, causaram a sensação que precisávamos para sermos transportados ao tempo frio que era antigamente. Se chorei? Muito.. mas a sensação de revolta era maior. Não precisamos voltar a viver isso, né?

Que voltem aos palcos em breve, aqui no Rio de Janeiro, inclusive! 🙂

[texto antigo, infelizmente finalizado com atraso, mas que precisava ser postado!]

 

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