O fim da MPB FM ilustra o declínio da área de Comunicação

Não tá sendo fácil ser um profissional de comunicação aqui no Brasil. Somos substituídos de maneira veloz, como se nossos esforços numa escola superior não valessem de nada. Ano passado, vi meu professor (e alguém que admiro muito) Alexandre Ferreira, postar em seu Facebook que havia sido dispensado depois de quase 20 anos de Rádio Globo. Se pra mim foi um susto, imagina pra ele, que dedicou sua carreira como radialista e passava esse amor para todos nós em sala de aula. Meus amigos que lêem o blog com toda certeza vão concordar comigo.

Os fãs de rock também foram surpreendidos quando, depois de 3 anos no dial carioca, foi anunciado que em 31 de julho de 2015, a Rádio Cidade sairia do ar para continuar suas atividades apenas pela web, como ficou por quase 10 anos. A justificativa seria a falta de patrocinadores. É aquele velho ditado “fazer o quê?”. Hoje a 102,9 é a Rádio Mania, mais uma rádio que toca sertanejo, pagode e funk.. nada contra, mas sinto apenas que alguns gostos estão perdendo espaço no dial carioca.

Desabafo pessoal a parte, hoje fui surpreendida por mais uma notícia envolvendo rádio. Agora, a MPB FM, que ocupava a frequência 90,3 aqui no Rio de Janeiro, deixará de existir a partir da meia de hoje. Passará a ser mais uma frequência da Band News, integrantes também do Grupo Bandeirantes, que também continuará na 94,9. É o fim de uma das poucas rádios que ainda toca(va) as músicas brasileiras. Hoje a tarde, toda equipe foi dispensada enquanto cobriam o show do Marcelo Jeneci na Barra, e ela está funcionado em modo automático.

Sabe quando você sente que está complicado sustentar o amor por uma profissão? É exatamente assim que me sinto com as péssimas notícias que venho recebendo sobre a área de comunicação. O que resta agora é lamentar por essas pessoas que entraram para a estatística de desempregados no Brasil e se deparam, com a decadência do setor, que só faz decepcionar com a constante ameaça.

Somos forçados a recorrer para serviços aquém de nossas formações para pagar nossas contas, que continuam a chegar. Nossa área é sucateada por sindicatos que nada fazem, por salários abusivos e mãos de obra barateadas por múltiplas funções e rebaixados à estagiários. Veja as últimas vagas disponíveis e me diga, quantas vagas são para profissionais e quantas são para estagiários – que devem ter experiência para serem selecionados!

O último que sair, apague a luz!

 

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